Arminho: Características, Habitat e Curiosidades do Mustela erminea
O arminho (Mustela erminea) é um pequeno carnívoro das regiões árticas e temperadas
do Hemisfério Norte, reconhecível por duas características únicas: o corpo longilíneo que
entra em tocas de roedores, e a pelagem que muda de marrom-dourado no verão para branco total
no inverno — a mesma que decorou mantos reais europeus por séculos.
Classificação Científica
- Nome científico: Mustela erminea
- Família: Mustelidae (mesma dos furões, doninhas e lontras)
- Ordem: Carnivora
- Subespécies reconhecidas: até 38
- Distribuição: América do Norte, Europa, Ásia e partes da Eurásia
- Status IUCN: Pouco Preocupante (LC) — Lista Vermelha 2016
Características Físicas
O corpo do arminho é longilíneo — quase cilíndrico — com pescoço longo, cabeça pequena e
triangular, orelhas arredondadas e bigodes longos. Esse design evolutivo permite perseguir
presas dentro das próprias tocas no solo.
O dimorfismo sexual é um dos mais acentuados entre os mustelídeos:
- Machos: 24 a 32 cm de comprimento, cauda de 7 a 12 cm, peso de 190 a 400 g
- Fêmeas: 17 a 27 cm de comprimento, cauda de 6 a 10 cm, peso de 60 a 180 g
A ponta da cauda é sempre preta, em qualquer estação do ano. Esse detalhe é o principal
critério para distinguir o arminho da doninha-de-cauda-curta (Mustela nivalis), que é
menor e não tem ponta preta.

A Famosa Pelagem Branca de Inverno
A mudança de pelagem é controlada pelo fotoperíodo: quando as horas de luz diminuem no outono,
o organismo do arminho dispara a troca completa de pelos. Em poucas semanas, a pelagem
marrom-dourada é substituída por branco total — exceto pela ponta preta permanente da cauda.
Essa pelagem branca de inverno é chamada de ermine em inglês, e foi um dos
tecidos mais valiosos da Idade Média europeia. O padrão de pele branca salpicada de pontos pretos
(feito com as pontas das caudas costuradas em sequência) aparece nos mantos oficiais de reis,
rainhas e nobres europeus até hoje em cerimônias de coroação e investidura. Requer dezenas a
centenas de peles por manto.
Habitat
O arminho vive em florestas temperadas, árticas e sub-árticas da América do Norte (Alasca,
Canadá, norte dos EUA), Europa e Ásia. Prefere habitats com vegetação densa — margens de rios,
bordas de floresta, prados alpinos e faixas de arbusto — onde encontra cobertura para se esconder
e abundância de roedores para caçar.
É mais abundante em regiões com alta densidade de roedores como camundongos e lêmingues.
Não ocorre naturalmente no Brasil nem em nenhum país da América do Sul.
Alimentação
Carnívoro especializado, o arminho prefere roedores: camundongos, ratazanas, lêmingues,
ratos-almiscareiros e campanhóis. Também caça coelhos e lebres (muitas vezes maiores do que
ele próprio), pássaros pequenos, ovos e insetos quando as presas preferidas escasseiam.
Seu metabolismo acelerado exige cerca de 50 g de alimento por dia — equivalente a 25% do
peso corporal. Por isso, o arminho caça com alta frequência e armazena presas mortas em câmaras
dentro das tocas para os períodos de escassez.

Reprodução e Ciclo de Vida
O arminho usa implantação embrionária retardada: a fêmea se acasala no
verão, mas o embrião só começa a se desenvolver de verdade no final do inverno seguinte. O
período de gestação efetiva dura 3 a 4 semanas, mas o processo total pode levar 9 a 10 meses.
A ninhada tem de 4 a 9 filhotes, que nascem cegos. A mãe cria sozinha. Os filhotes abrem
os olhos com cerca de 5 semanas e já caçam com independência aos 2 meses. A expectativa de
vida na natureza é de 1 a 2 anos; em cativeiro, chegam a 7 anos.
Predadores Naturais
Ursos, raposas, coiotes, texugos, e aves de rapina — falcões, gaviões e corujas — são os
principais predadores do arminho. A ponta preta da cauda tem função protetora comprovada:
predadores aéreos ficam focados nela durante o mergulho de ataque, enquanto o corpo branco
do arminho escapa no momento do impacto. É um recurso de distração anti-predador.
A Polêmica Invasão da Nova Zelândia
Na década de 1880, arminhos foram introduzidos deliberadamente na Nova Zelândia para
controlar a explosão populacional de coelhos em fazendas. O plano saiu pela culatra:
sem predadores naturais locais que os controlassem, os arminhos se multiplicaram sem
limite e passaram a devorar ovos e filhotes das aves nativas — muitas delas sem capacidade
de voo e sem defesas contra mamíferos predadores terrestres, pois a fauna neozelandesa evoluiu
isolada por 80 milhões de anos.
Hoje o arminho é considerado uma das espécies invasoras mais destrutivas da Nova Zelândia.
O país gasta dezenas de milhões de dólares por ano em controle de predadores introduzidos
(arminhos, ratos e furões), com a meta declarada de erradicá-los completamente do território
continental até 2050.
Estado de Conservação
Globalmente, o arminho é classificado como Pouco Preocupante (LC) pela
Lista Vermelha da IUCN. A espécie mantém populações estáveis na maior parte de sua área
de distribuição natural. Em algumas regiões da Europa Ocidental e do norte do Japão,
as populações diminuíram pela perda de habitat agrícola diversificado — que oferecia bordas
de vegetação e populações de roedores — substituído por monoculturas.
Perguntas Frequentes sobre o Arminho
- O que é um arminho?
- Um pequeno mamífero carnívoro (Mustela erminea) das regiões árticas e temperadas
do Hemisfério Norte, famoso pela pelagem que muda de marrom para branco total no inverno e pela
ponta preta permanente da cauda. - Por que o arminho fica branco no inverno?
- A redução das horas de luz no outono dispara a troca completa de pelos. O branco serve de
camuflagem na neve. A ponta da cauda permanece preta em todas as estações. - O arminho vive no Brasil?
- Não. É nativo da América do Norte, Europa e Ásia. Não ocorre naturalmente no Brasil
nem em nenhum país da América do Sul. - Qual o tamanho de um arminho adulto?
- Machos: 24–32 cm (+ cauda de 7–12 cm), 190–400 g. Fêmeas: 17–27 cm, 60–180 g.






